O Eremita

Apenas o conhecimento adquirido com o tempo, vale dizer, com a experiência de uma longa vida, pode configurar-se como um verdadeiro saber, voz da consciência suprema do eu, luz que só ilumina, como sua lanterna, aos que se aproximarem e realmente quiserem buscar de modo amadurecido, prudente e despojado da VAIDADE, a realidades das coisas. Ele é aquele que não dispensa o saber intelectual, mas o depura e transcende. Simples, é capaz de estar só sem sentir solidão, porque une-se ao todo.
Evita tanto a precipitação do Carro quanto a imobilidade da Justiça. Inspira-se no passado para preparar o futuro, avançando lento. Modesto, não brilha com ostentação, como já vimos pela lanterna que porta e não alardeia sem sabedoria, pois a sabe ínfima diante do que ignora. Assim, renunciou as pretensões intelectuais e contenta-se humildemente aprender noções que sejam indispensáveis ao cumprimento de sua missão na terra.
Seu isolamento tem também uma função de concentração paciente de energias, pois a Alquimia, por exemplo, prescreve, que é preciso estar protegido para realizar as operações da Grande Obra. Assim, isolando-se das pertubações corriqueiras, ocorrerá o desenvolvimento de uma incrível força, no momento certo. Tudo o que tem que tomar corpo se elabora em segredo, ao abrigo de toda frivolidade mundana, intensificando sua vontade, orientado por aspirações generosas e desinteressadas. Artesão ignorado do devir, não tem a menor preocupação com efeitos imediatos. Foge do comércio dos homens para entrar em comunhão com seus ideias. É o orientador virtual, imaterial das coisas objetivas. Lembra-nos Saturno ou Cronos, o eterno e lento, que é o senhor do futuro, porque já elaborou um passado.
Essa reflexão da carta Eremita é uma das mais belas que já pesquisei e é de Priscila Kupperman.
Estão faltando Eremitas no mundo.
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