Felicidade
Liberty descobriu em uma revista de moda, a publicidade de uma marca famosa que garante seu guarda - roupa funcionar bem. Sua loja favorita é ( qualquer marca famosa e que dê status). Embora essa loja seja cara, ela tem a certeza que vai sair de lá com alguma coisa que está na moda. A marca famosa, significa para ela, acima de tudo, um reconfortante sentimento de segurança. Os estilistas confrontam os riscos do fracasso por ela e assumem a responsabilidade por suas escolhas. Comprando nessa loja, a possibilidade de erro se reduz a zero, ou quase. Liberty, não acredita o suficiente em seu próprio gosto e discernimento para comprar ( muito menos usar em público) simplesmente aquilo que lhe captou o olhar e o que ela realmente gosta. Mas as coisas que ela compra desta marca, ela pode exibir em público com confiança - confiante no reconhecimento, aprovação e por último, admiração e elevado status. Liberty, comprou um short desta tal marca, mas quando chegou em casa, achou o short curto demais. Mas depois que ela viu a Vogue e viu aquela modelo com o mesmo short, era o short da tal marca! E desde então ela não se separa dele. É isso que a logo, a marca e a localização podem fazer por seus clientes: guia-los no caminho confusamente sinuoso e minado que leva a felicidade. A felicidade de receber o certificado publicamente reconhecido e respeitado que confirma ( com autoridade) que se está na trilha certa, que ainda se está na competição e que se tem permissão para manter vivas as esperanças.
O problema é : Qual o prazo de validade do certificado? A mulher do short curto não aparecerá na próxima edição da Vogue. Mas as visitas de Liberty a tal loja vão continuar. Ela vai voltar lá muitas vezes. Ela aprendeu a confiar no funcionário da loja, que quem quer que seja, decide colocar nas prateleiras o que as marcas ditam no dia de sua visita. Ela confia que eles vendam produtos que vêm com a garantia de aprovação pública e reconhecimento social.
Buscar a felicidade numa sociedade de mercado de consumo caracterizado por logos, marcas e lojas exige que a felicidade seja HIPOTECADA.
Bauman
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