O problema do patriarcado e as escolas ocultistas



 A Sacerdotisa, ou Suma-sacerdotisa, ou Papisa nos tarôs mais antigos representa o feminino no tarô. Não tem nada de sexista. Essa frase, escolhida por Sallie Nichols, em seu livro Jung e o tarô para representar a Sacerdotisa faz muito sentido sim.
É incrível perceber que na história do tarô, os ocultistas, cabalistas, sempre tiveram dificuldade com o feminino no tarô e tentaram modifica-lo e moldá-lo no formato de suas crenças e suposições.
A divinação, a adivinhação desde a antiguidade era um atributo feminino.
A mania de criar correspondências entre o tarô e criar teorias como conhecimento velado de ensinamentos secretos da cabala, dos mistérios do Egito, das letras hebraicas, de Moisés, de Thot, da árvore da vida, sabemos hoje que não são verdadeiras.
A história do tarô demonstra claramente como o feminino foi vítima de preconceito e continua até hoje por entusiastas do tarô.
Não precisamos voltar muito no tempo para identificar isso. Pamela Colman Smith e Frida Harris ficaram sempre em segundo plano como meras ilustradoras do tarô, enquanto Waite e Crowley levaram a fama. A Golden Dawn, para quem estuda a sua história foi machista ao extremo. As mulheres serviam apenas como ferramentas para os homens.

O que existe sim, até hoje é uma visão patriarcal do tarô.
Infelizmente a atividade oculta no ocidente sempre foi dominada pelo homem em uma estrutura patriarcal e retrógada. Da idade Média até o século XX a vida espiritual, política, religiosa tem sido bastante limitada em relação as mulheres.
Muitos ocultistas casaram-se com mulheres sensitivas e graças a elas escreveram suas obras.
O problema é que a adivinhação sempre é vista de maneira distorcida por ocultistas, magos, sacerdotes. A caça às bruxas continua.

Comentários

Emanuel disse…
Oi Vera, tudo bem?
Eu vejo bem isso, até mesmo na literatura de Bruxaria! Você chegou a ler o "Com o auxílio da Alta Magia", do Gerald Gardner? Mesmo falando de Bruxaria, sente o papel da Morven... Trono para o Jan sentar, literalmente.
Grande beijo!
João Moreira disse…
Vera,

fico pensando... quantas Pamelas não existiram antes de Waite?

Boa Semana!
Adash Van Teufel disse…
Vera amada, agradecido pela sua preocupação em responder. Por favor, não me entenda mal. A idéia, exposta pelo Claude, ao meu ver nesta frase parece depreciativa. Por isso não gostei. A forma como eu entendo: ele define a mulher a um mero papel de adivinhadora (louca, no caso), como se, sem determinação (afinal está colocada como característica do homem), sobrasse a ela apenas o papel depreciativo de adivinhar. Ordens ocultistas que usam o Tarot fazem para outros fins menos a adivinhação. É por isto que não gostei da frase.

Bragdon, como todo leonino fanfarrão, desconsidera séculos de história atrás dele aonde as mulheres mudaram SIM o mundo com suas determinações. Quer maior impacto causado, por exemplo, pela Rainha Elisabeth I? E, no mesmo ramo ocultista, sua contemporânea Helena Blavatsky, cujos livros eram cabeceira do gênio Albert Einstein?

Até hoje não conheço um homem que faça uma leitura de Tarot tão linda quanto a que eu já vi pronunciada pela boca das mulheres. E por mais que se esforcem e estudem. As melhores leituras que eu já pude receber e me tocaram profundamente, no papel de consulente, foram feitas por mulheres.

Quanto ao papel de Pamela e Lady Harris sim, concordo, foram colocadas como coadjuvantes e isto é algo pelo qual brigo desde que entrei na internet. Waite, ao meu ver, era apenas um aproveitador e Crowley, drogado louco, tinha um objetivo ao deixar Harris ser apenas a artista que era o de "não pensar", apenas usar seu sentimento para criar. E ela mesma se pôs neste papel, a princípio querendo permanecer anônima.

A respeito da Golden Dawn, vou ter que discordar. A Golden Dawn foi pioneira em relação às mulheres. Mathers negou-se a criar a ordem se as mulheres não tivessem um papel igualitário. Isto foi herança que ele aprendeu com a mestra dele, Anna Kingsford. Para abrir a Golden Dawn, ele pediu autorização à Helena Blavatsky. As mulheres na ordem jamais foram coadjuvantes. Isto prova-se por haver, depois das mudanças internas, Florence Farr por exemplo chegou a pertencer ao triunvirato. Assim como Moina Mathers. Relata-se feitos incríveis das mulheres na ordem, como o bem-sucedido grupo das esferas, criado pela Florence. E Dion Fortune? Destaque dentro do ocultismo até os dias de hoje? Ou mesmo a charlatã Madame Horus, mulher pela qual Mathers foi parar nos tribunais? Isso tudo sem citar que Mathers seguiu as orientações de Ana Sprengel. É impossível referir-se à ordem como sendo machista, sendo Waite e Crowley apenas coadjuvantes nela. E impossível também concordar com a frase do Claude, pois as mulheres, sim, precisam ser vistas como influentes e não como meramente loucas.
Beta Samtos disse…
Vera,

Pensava sobre isso essa semana. Nessa necessidade absurda de auto-afirmação, em ditar certas regras, uma necessidade puramente do gênero...Mas enfim, a caça às bruxas continua. bjusss
Vanda Ferreira disse…
Já está mais do que na hora dessa caça acabar. Sábias palavras. Parabéns.
LIlian Barros disse…
Na ocasião do primeiro Congresso de tarô promovido pelo Ney Neiff, com sua acessoria, já tinha tido o prazer de acessar essas informações históricas que desmistificam o tarõ...fiquei muito feliz or perceber que o paganismo ergueu essa bandeira também e que se torna mais poderosa a cada dia, no mundo!Vamos caçar o preconceito e o elitismo místico, isso sim!
Vera Chrystina disse…
Oi Emanuel, ainda não li esse livro. Boa indicação!
Um beijo!
Vera Chrystina disse…
Oi Arierom,
Acredito que muitas!
Um beijo!
Vera Chrystina disse…
Oi Beta,

Obrigada pelo carinho!
Vera Chrystina disse…
Vanda, concordo com você! Obrigada pelo carinho! Um beijo!
Vera Chrystina disse…
Oi Lilian, que legal! Vamos caçar sim o elitismo místico e pomposo! Chega!
Um beijo e obrigada pelo carinho!

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